terça-feira, 10 de junho de 2008

TAIPA

poema de Rosa Leme

De estrutura pau a pique
construída com barro úmido
dentro vidas secas,
desejando Água fresca.

O nordeste clama, reclama
o nordestino aplaina,
quando apanha a palma
as crianças batem palmas.

Mulheres de havaianas
vão pela estrada
cantam, dançam, com feixes de lenha
e latas d’água na cabeça

A Maria, Joana, Amélia
e a Elis
elas dizem com alegria
“Eu sou feliz!”

O moço de olhos tristes
com enxada e foice nas costas
olha para o sol
e diz “a chuva foi-se!”

O João de barro
carrega no bico o barro úmido
o cachorro da casa de taipa
sem corrente saúda a vida contente.

Pau a pique
vidas sofridas, vividas.
Vidas com fibra,
aplaude o pica pau.

domingo, 18 de maio de 2008

BRASIL BELO

poema de Nelson Pestana Moreno

INDIA E CABOCLA
COSINHA NA CHAPA
VACATOLADA, VATAPÁ
COSCUIS E CARAGÉ
MUQUECA, MUCUNZÁ
PANELA PRETA
NA TAIPA TAPADA

BANCO É BAÚ
CAMA DE VARA
COLCHÃO DE PALHA
DE PAU A PIQUE
RELÍQUIA MUI CHIQUE
BETUME BATIDO
COS PÉS DESCALÇOS
CABOCLO DESNUDO
NA TAIPA TAPADA

CABOCLA COSE
PANO DE PRATO
BORDA A MÃO
TECE NO TEAR
GURIA E PIÁ
BRINCA E AQUECE
TREPA E DESTREPA
NA TAIPA TAPADA

IAPOQUE AO CHUÍ
TABA DO INDIO
CABANA, CABOCLO
LAMPARINA, LAMPIÃO
VIOLA E VIOLÃO
TOCA, CANTA CANÇÃO
AO LUAR DO SERTÃO
NA TAIPA TAPADA

BRASIL BELO

INDIA E CABOCLA
COSINHA NA CHAPA
VACATOLADA, VATAPÁ
COSCUIS E CARAGÉ
MUQUECA, MUCUNZÁ
PANELA PRETA
NA TAIPA TAPADA

BANCO É BAÚ
CAMA DE VARA
COLCHÃO DE PALHA
DE PAU A PIQUE
RELÍQUIA MUI CHIQUE
BETUME BATIDO
COS PÉS DESCALÇOS
CABOCLO DESNUDO
NA TAIPA TAPADA

CABOCLA COSE
PANO DE PRATO
BORDA A MÃO
TECE NO TEAR
GURIA E PIÁ
BRINCA E AQUECE
TREPA E DESTREPA
NA TAIPA TAPADA

IAPOQUE AO CHUÍ
TABA DO INDIO
CABANA, CABOCLO
LAMPARINA, LAMPIÃO
VIOLA E VIOLÃO
TOCA, CANTA CANÇÃO
AO LUAR DO SERTÃO
NA TAIPA TAPADA